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18 junho 2020

Os 9 anos de comando da Marinha do Brasil nas Missões de Paz da ONU no Líbano (UNIFIL): Saída do Brasil e a Situação na Pandemia

 

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano conhecida como UNIFIL (FINUL- em inglês) foi criada através da Resolução nº 425 do Conselho de Segurança das Nações Unidas em 19 de março de 1978. Inicialmente realizada apenas pela via terrestre, a missão possuía como objetivo auxiliar o Estado libanês a manter o controle da parte sul de seu território, de modo a garantir a retirada de tropas israelenses, além de permitir o acesso aos serviços de ajuda humanitária.

Em 2006, Israel e Líbano entraram em conflito novamente, obrigando a ONU a estender o mandato da UNIFIL, por meio da Resolução nº 1701 do Conselho de Segurança. Neste mesmo ano, o Líbano sofreu um bloqueio naval israelense e pediu ajuda à ONU para retirar a marinha israelense de suas águas e estabelecer novamente a segurança. Como resultado, a ONU então desenvolveu uma Força-Tarefa Marítima (FTM-UNIFIL/em inglês MTF-FINUL) para atuar no país com objetivo de “impedir a entrada ilegal de armas por via marítima no território libanês e, também, para apoiar o treinamento das Forças Navais e de Segurança do Líbano, até que elas possam executar tais tarefas por conta própria” , nas palavras do Contra-Almirante Eduardo Wieland da Marinha do Brasil em entrevista para Revista Diálogo do Comando Sul dos Estados Unidos.

Essa Força-Tarefa foi comandada primeiramente pela Marinha Italiana no ano de 2006, seguida por Alemanha, França e Bélgica. Em 2011, o comando do componente foi transferido para o Brasil.

Comandadas pela Marinha do Brasil a FTM-UNIFIL conta com navios de outros países como Alemanha, Grécia, Bangladesh, Turquia e Indonésia. O Brasil tem disponibilizado uma série de embarcações e suas respectivas tripulações com objetivo de proteger mais de 4 mil km² de mar territorial. Além de comandar a Força-Tarefa Naval, o Brasil também coopera com o envio de militares para compor o Estado Maior das forças terrestres.

Segundo a opinião do Contra-Almirante Eduardo Wieland da Marinha do Brasil: “a presença da Marinha do Brasil na Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, representa a mais importante participação militar brasileira em uma missão de paz na atualidade.”

eduardo_augustoO contra-almirante da Marinha do Brasil Eduardo Augusto Wieland é o comandante da Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano. Foto: Marinha do Brasil

Saída do Brasil

Após 9 anos no comando da Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, existem informações sobre a possível saída do Brasil em 2020. Em abril de 2020, a Fragata Independência assumiu como o novo Navio-Capitânia da FTM-UNIFIL, mantendo sua função até dezembro de 2020. Conta com uma tripulação de 200 militares e uma aeronave WildLynx a bordo.

As operações da FTM-UNIFIL têm como objetivo permitir que o governo libanês proteja suas fronteiras marítimas e a entrada de armas e materiais ilegais, além de auxiliar na vigilância aérea.  Esta é a 17º participação do Brasil na missão, que já contou, desde 2011, com 3,8 mil militares e seis navios brasileiros.

F44-e1524763935866Fragata Independência. Fonte: https://www.naval.com.br/blog/2020/03/10/fragata-independencia-parte-para-integrar-a-forca-tarefa-maritima-da-unifil/

Pandemia e FTM-UNIFIL

A pandemia de Covid-19 também tem afetado a rotina dos militares brasileiros que estão nas missões de paz da FTM-UNIFIL. Com a disseminação da doença, parte das atividades da missão está suspensa, visto a proibição de embarque e desembarque.

“Nós continuamos com as patrulhas na costa do Líbano, com as detenções, que é nossa missão principal. Mas o apoio para treinar a marinha do Líbano acabou suspenso em março, porque envolve um contato físico maior, com militares subindo nas nossas embarcações”, afirma o comandante da Força-Tarefa Marítima, o Contra-Almirante Sérgio Renato Berna Salgueirinho.

A UNIFIL registrou um caso do novo coronavirus em um militar, mas não foi informada a nacionalidade. Segundo fontes ele foi colocado em quarentena e já está recuperado.

Com o medo constante de propagação do novo coronavirus entre os militares que dividem espaços limitados dentro de um navio foram adotadas medidas de distanciamento, uso de EPIs (equipamentos de proteção individual) e higienização constante dos locais.

Sobre o exercício de atividades militares na pandemia, afirmou o comandante geral do componente militar da MONUSCO, o general Ricardo Augusto Ferreira Costa Neves, em entrevista a FOLHAEXPRESS: “A busca pelo equilíbrio entre ambos os imperativos é uma tarefa complexa. Se você aumenta demais as medidas preventivas, perde a capacidade de atuar. Se incrementa as atividades operacionais sem cuidar do seu soldado, você o expõe de maneira imprudente ao risco de contagiar e ser contaminado”

 

 

Notícia produzida por Bruna Abreu Silveira, estagiária do IBDMAR, sob a supervisão de Luciano Vaz Ferreira, professor da Universidade Federal do Rio Grande e diretor do IBDMAR.