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19 setembro 2019

Pesquisa indica que os rejeitos da barragem do desastre em Mariana, chegaram ao Parque Nacional de Abrolhos

O Parque Nacional Marítimo de Abrolhos foi criado em 1983, onde vivem 1.300 espécies, das quais 45 são ameaçadas. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMbio: O Arquipélago de Abrolhos causou curiosidade a Charles Darwin, que o visitou em 1832. Além de resguardar porção significativa do maior banco de corais e da maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul, o Parque protege o principal berçário das baleias jubarte no Atlântico Sul que migram para o Banco dos Abrolhos para ter seus filhotes.”

No dia 29 de agosto de 2019, um artigo científico publicado pela revista ScienceDirect, da editora anglo-holandesa Elsevier, mostrou que a lama espalhada pelo rompimento da barragem de Mariana, em 5 de novembro de 2015, atingiu os corais do Parque Nacional de Abrolhos, litoral sul da Bahia.

Segundo os pesquisadores, o impacto desse estrago ambiental ainda é desconhecido. Logo após o rompimento da barragem da empresa Samarco, foram lançados ao Rio Doce que banha os estados de Minas Gerais e Espírito Santo –, cerca de 50 milhões de metros cúbicos de lama, que dias após a tragédia, atingiram também o oceano com rejeitos de minério de ferro, impactantes à fauna marinha.

Foi indicada, pelo estudo, a existência de uma “pluma de rejeitos de ferro” na porção sul do Banco Abrolhos, através de um sistema remoto de vigilância que monitora dados sobre ventos, temperatura da superfície do mar, coloração e o total do material em suspensão na água. Essa pluma foi interceptada em 16 de junho de 2016, sete meses após a tragédia.

No início deste ano, uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) apontou que lama de rejeitos vazada da barragem rompida tinha chegado ao Parque de Abrolhos. Essa pesquisa detectou a presença de metais na região, como zinco e cobre.

Afirmam os pesquisadores que “[p]ara obter mais evidências da presença de rejeitos dos recifes de coral, amostras de água foram coletadas em uma área que abrange o estuário do rio até os recifes no sul do Banco Abrolhos”. Eles analisaram “a composição isotópica e microbiana das amostras, bem como a composição dos recifes”, sendo que os efeitos do vazamento da barragem atingiram os recifes de corais e os manguezais, comprometendo a pesca artesanal na região.

Esses estudos feitos, nesta área, não apontaram impactos negativos nos corais atingidos, mas uma pluma de rejeitos advindos do rompimento da barragem da Samarco. Mesmo assim, os pesquisadores tem como objetivo tornar esse estudo uma base para futuras avaliações e monitoramento dos recifes de corais e dos manguezais do Banco de Abrolhos, já que compreende uma área cerca de 32 mil quilômetros quadrados de águas rasas entre os estados da Bahia e do Espírito Santo.

Em nota a Fundação Renova, por exemplo, “informa que realiza o monitoramento da pluma de rejeitos no Atlântico de forma integrada e utilizando metodologias diversas para avaliar a qualidade da água e do sedimento decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). A análise compreende organismos marinhos de diferentes grupos para verificar a presença e concentração de elementos associados aos rejeitos. Em relação aos bancos de corais dos Abrolhos, o monitoramento foi iniciado em setembro de 2018 e deve durar cinco anos. Os dados estão sendo recolhidos pela rede Rio Doce Mar, consórcio de 25 universidades do país, na porção capixaba do rio Doce e também nos ambientes costeiros e marinhos adjacentes. Estes dados serão analisados e, posteriormente, vão compor um relatório anual, que deve ser concluído até o final deste ano, com as primeiras interpretações das informações coletadas. Até o momento, os dados não indicam a ocorrência de danos aos recifes. A ideia é que os dados coletados estejam disponíveis para consulta depois de validados pela Câmara Técnica de Conservação e Biodiversidade, que assessora o Comitê Interfederativo na fiscalização e avaliação dos estudos realizados pela Fundação Renova. Vale salientar que o Banco dos Abrolhos compreende uma região que se estende desde as proximidades da foz do rio Doce até o parque dos Abrolhos. Atualmente, são dez pontos de monitoramento localizados nos recifes do sul da Plataforma de Abrolhos, ao largo de São Mateus, e nos recifes do sul da Bahia, ao largo de Caravelas, compreendendo também o Parque Nacional Marinho. Cada um destes pontos monitora dez parcelas do topo do recife e dez das paredes. Na região do entorno dos recifes é realizado ainda o monitoramento da qualidade de água e sedimento, bem como estudos sobre a população dos peixes“.