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04 setembro 2019

Coreia do Norte dispara novamente mísseis balísticos no mar

Em 24 de agosto de 2019, ocorreu o mais recente lançamento de mísseis pela Coreia do Norte, dentro do contexto de uma série de testes – sete em apenas um mês -, atingindo o Mar do Leste (nome sul-coreano), também conhecido como Mar do Japão (nome japonês) ou Mar do Leste da Coreia (nome norte-coreano), o que é considerado uma violação ao disposto em resoluções da Organização das Nações Unidas. Como se pode ver pela diferenciação de nomenclatura, trata-se de uma zona marítima objeto de interesses de diversos Estados, em especial o Japão, a Coreia do Sul, a Coreia do Norte e a Rússia. Desde 1992, há sérias discussões, no âmbito das Nacoes Unidas, acerca de nome desse espaço marítimo, o que implica discussões sobre a titularidade de soberania ou direitos soberanos na região.

O último lançamento aconteceu um dia depois do anúncio pela Coreia do Sul do rompimento com o Japão do Acordo Geral sobre Segurança da Informação Militar, que visava compartilhar informações sobre as atividades militares da Coreia do Norte. O acordo, celebrado em 2016, pretendia ser um instrumento de cooperação em matéria de defesa, especialmente da Coreia do Sul. Contra a tecnologia militar nuclear de que dispõe a vizinha Coreia do Norte, o governo sul-coreano contava com a tecnologia antissubmarina japonesa para identificar a aproximação desse tipo de embarcação.

Três anos depois, o que teria motivado a denúncia do acordo com o Japão pela Coreia do Sul, que, de algum modo, fortalece a posição da Coreia do Norte? Uma justificativa é a remoção da Coreia do Sul da lista de países autorizados a exportar materiais sensíveis ao Japão, que se deu depois que a Coreia do Sul concedeu indenização a idosos sul-coreanos que haviam sido recrutados para uma empresa japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Outra justificativa é que a decisão sul-coreana de deixar o acordo com o Japão refere-se a uma estratégia de aproximação dos Estados Unidos, que estariam mais dispostos a agir, caso houvesse a ameaça de agressão por parte da Coreia do Norte.

De toda forma, uma vez lançados, os mísseis norte-coreanos não atingiram a zona econômica exclusiva japonesa. Apesar disso, o ministro da Defesa do Japão, Takeshi Iwaya,afirmouque: “Não pode ser ignorado, seja qual for seu tamanho e distância”. Ademais, o recente lançamento demonstrou o desenvolvimento dedois sistemas diferentes de mísseis balísticos de curto alcance, o que aumenta a capacidade de ataque a locais diferentes.Segundo nota divulgada pela Agência Central de Notícias Coreana (KCNA, na sigla inglesa), Kim Jong-un sdemonstrou-se satisfeito com o novo teste.

Em 2014, a Coreia do Norte já havia disparado dois mísseis balísticos, que também caíram no Mar do Japão ou Mar do Leste da Coreia. Essa ação havia sido fruto de ameaças do líder norte-coreano e teve relação apontada com asmanobras conjuntas militares realizadas entre Estados Unidos e Coreia do Sul. Como consequência, o Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs sanções ao país. Desde então, há em curso tentativa de negociação de tratados de desarmamento nuclear na península coreana, com a participação direta dos diplomatas estadunidenses.

Apesar da abertura para o diálogo, os testes nucleares realizados sistematicamente pela Coreia do Norte é uma demonstração da fragilidade dos compromissos internacionais assumidos pelo país. Não se pode esquecer, entretanto, que não se trata de uma atitude isolada. Recentemente, como o IBDMAR noticiou, os Estados Unidos anunciaram este ano sua retirada oficial do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (Tratado INF – Intermediate-Range Nuclear Forces), firmado com a União Soviética, em 1987. É difícil imaginar que países menos desenvolvidos possam dar um passo à frente na questão do desarmamento quando a maior potência militar age no sentido contrário.

De fato, uma importante causa dos últimos lançamentos de mísseis norte-coreanos é o fato de que os Estados Unidos têm tido uma posição contrária ao discurso, realizando manobras militares com a Coreia do Sul, o que é visto pela Coreia do Norte como ameaça de uso da força na região.

 

Notícia produzida por Júlia Machado Aguiar, estagiária do IBDMAR.