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03 setembro 2019

Acordo de cooperação naval entre Venezuela e Rússia facilitará a presença militar russa no continente sul-americano

Muitos se equivocam ao pensar que as tensões entre a Rússia e os Estados Unidos findaram-se com a queda do muro de Berlim e a seguida extinção da União Soviética. Ressalvado um período de certa harmonia, no início dos anos de 1990, pode-se afirmar que, três décadas após a reunificação alemã, os dois países continuam representando dois polos distintos das relações internacionais. Essas tensões se elevam quando estão no centro das discussões a implementação de ações nas respectivas áreas de influência. Seja na Síria, Ucrânia ou Venezuela, os dois países sentem-se diretamente concernidos quando da tomada de decisão alheia. No caso específico da Venezuela, por se localizar na América Latina, e por se tratar de um país detentor de enormes reservas de petróleo, os Estados Unidos veem com extrema reserva os passos que a Rússia tem dado no estreitamento das relações de cooperação militar com o governo de Nicolás Maduro.

Nos últimos anos, em razão da deterioração da conjuntura socioeconômica na Venezuela, em razão das dificuldades de diálogo entre as diversas correntes políticas internas, tem sido cada vez mais comum a tomada de medidas contraditórias pelos Estados Unidos e pela Rússia. Por um lado, aquele país impõe à Venezuela sanções unilaterais de caráter político e econômico, tendo inclusive reconhecido um dos líderes da oposição, Juan Guaidó, autoproclamado Presidente da Venezuela, como Chefe de Estado. Por sua vez, a Rússia não apenas reconhece a legitimidade do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, como tem estreitado os laços de cooperação. Em julho, Serguéi Riabkov, Vice-Ministro das Relações Exteriores da Rússia, afirmou que a Venezuela é um dos principais aliados de seu país. Uma prova disso foi dada recentemente, quando se assinou um acordo bilateral de cooperação naval, que prevê a presença de embarcações militares russas nos portos venezuelanos e embarcações militares venezuelanas nos portos russos.

Segundo a Rússia, o objetivo da cooperação militar naval é reforçar a resistência da Venezuela contra as inúmeras tentativas por parte do governo estadunidense de deslegitimar o governo de Maduro, facilitando sua derrubada por meio de um golpe de Estado. Independente das justificativas políticas, o acordo russo-venezuelano de cooperação naval corresponde efetivamente a uma maior presença militar russa na América do Sul. Os Estados Unidos já estão no continente há algum tempo, pois têm bases militares fixadas no Peru e na Colômbia, que é vizinha da própria Venezuela.

 

Notícia produzida por Ana Clara Gomes, estagiária do IBDMAR.