Venezuela denuncia retenção ilícita de navio com soja no Canal do Panamá

10 agosto 2019

Venezuela denuncia retenção ilícita de navio com soja no Canal do Panamá

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou por meio de sua conta no Twitter na quarta-feira (7) que um navio com destino à Venezuela, carregado com 25 mil toneladas de soja, foi proibido de seguir viagem quando atravessava o Canal do Panamá. A soja seria utilizada para a produção de alimentos no país, que passa por uma grave crise econômica, política e social.

Segundo Rodríguez, a seguradora, temendo as consequências do descumprimento do bloqueio estadunidense contra o governo venezuelano, teria impedido o proprietário da embarcação de chegar ao território e entregar a carga. A vice-presidente venezuelana, mais uma vez, acusou o chefe do parlamento, líder da oposição e autoproclamado “presidente encarregado”, Juan Guaidó, de defender internacionalmente as sanções contra a Venezuela.

Segundo uma ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é possível punir qualquer pessoa, inclusive estrangeiros, que apoie o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Na segunda-feira (5), o governo estadunidense endureceu as medidas contra o governo venezuelano, decretando o bloqueio de todos os bens de propriedade de membros deste governo, que se encontram sub jurisdição dos Estados Unidos. É a primeira vez que o governo estadunidense age dessa forma contra um país ocidental em mais de trinta anos.

O governo de Maduro exigiu que as Nações Unidas se pronunciem sobre as medidas de Trump, visto que elas violam os direitos humanos e ameaçam o direito à alimentação dos venezuelanos. Além disso, pediu que a ONU empregue os mecanismos necessários para impedir tal agressão contra a Venezuela.

Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e atual Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que tornou público, no último 4 de julho, um duro relatório sobre a situação dos direitos humanos na Venezuela, considerado “mentiroso” pelo governo venezuelano, emitiu, na quinta-feira (8), uma declaração oficial, afirmando que: “Existe evidência suficiente que mostra que as sanções unilaterais com efeitos amplos podem acabar afetando negativamente os direitos fundamentais das pessoas, incluindo seus direitos econômicos, assim como seus direitos à alimentação e saúde, e que podem implicar obstáculos ao acesso à assistência humanitária.”**

Em contrapartida à acusação da Venezuela, na quarta-feira (7), a conta oficial da Autoridade administradora do Canal do Panamá, no Twitter, afirmou que nenhuma embarcação foi retida: “O Canal do Panamá informa que todos os trânsitos programados acontecem com absoluta normalidade e sem contratempos. Nenhum navio está retido, como circulou em redes sociais hoje.”** De acordo com a mesma Autoridade, o navio Bulktec, transportando soja, atravessou normalmente o Canal do Panamá, vindo do Pacífico ao Atlântico.

 

*Em tradução nossa. No original, em espanhol: “Existe evidencia suficiente que muestra que las sanciones unilaterales con efectos amplios pueden terminar afectando negativamente los derechos fundamentales de las personas, incluyendo sus derechos económicos, así como sus derechos a la alimentación y salud, y que pueden implicar obstáculos para el acceso a la asistencia humanitaria.”

**Em tradução nossa. No original, em espanhol: “El Canal de Panamá informa que todos los tránsitos programados se realizan con absoluta normalidad y sin contratiempos. Ningún buque se encuentra retenido como ha circulado en redes sociales durante el día de hoy.”