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13 agosto 2019

Cientistas alertam sobre o massivo derretimento de geleiras na Groelândia e sua ameaça a populações costeiras ao redor do mundo

A onda de calor que assolou a Europa no final de julho finalmente chegou à Groelândia e trouxe consigo previsões alarmantes. Era esperado que, somente na quinta-feira, o equivalente a 12 bilhões de toneladas de água, proveniente do derretimento das geleiras, fosse derramado sobre os oceanos e, dessa maneira, contribuísse para o aumento do nível do mar ao redor do mundo.

O calor é responsável por causar um dos maiores eventos de derretimento da história da Groelândia. De acordo com simulações de computador, é estimado que aproximadamente 60% das geleiras do país estejam derretendo, devido ao aumento de cerca de 25-30 graus Fahrenheit. Justamente pela alta frequência com que esses eventos ocorrem região, a Groelândia é um das principais locais que contribuem para o aumento dos níveis dos oceanos, ameaçando propriedades das populações costeiras ao redor do mundo e eventualmente tendo grande impacto sobre o mercado global.

Somente durante o derretimento da semana passada, era esperado que os níveis dos oceanos subissem cerca de 0,1 milímetro. Essa medição parece pequena, analisando-se o evento isolado, porém, se todo o gelo da Groelândia derretesse, o mundo se depararia com um aumento de 20 pés (cerca de 6 metros) no nível dos oceanos. Por esse motivo, o climatologista Luke Trusel, da faculdade americana Penn State, alertou sobre a excepcionalidade dos eventos que estão acontecendo na Groelândia e enfatizou a importância da tomada de ações por parte da sociedade internacional.

Somente em julho as geleiras da Groelândia perderam 80 bilhões de toneladas de gelo, de acordo com o National Snow and Ice Data Center. Em julho, perderam 160 bilhões de toneladas e, de acordo com estimativas, iriam perder mais 50 bilhões ao longo da semana passada. Brian Brettschneider, climatologista da University of Alaska Fairbanks’ International Arctic Research Center, diz que é impossível reverter os efeitos dos derretimentos, entretanto, é possível frear os seus avanços. De acordo com ele, porém, dada à trajetória em que a sociedade global se encontra, é muito improvável que se consiga realizar tal feito.

De acordo com dados de satélite, os níveis dos oceanos subirão cerca de 0,6 a 1,8 metros até o ano de 2100. Por outro lado, levando em conta a atual emissão desenfreada de gases estufa e o crescente aquecimento global, cientistas acreditam que o aumento será ainda mais expressivo.

Quando trata-se sobre o aumento do nível dos oceanos, precisa-se também discutir quais impactos esse evento traria para as populações costeiras ao redor do mundo. Holthaus afirmou que somente esse evento isolado na Groelândia é capaz de gerar uma queda no valor dos imóveis em todas as cidades litorâneas do planeta. Ademais, não é necessária grande quantidade de água para invadir linhas costeiras e destruir residências, prédios comerciais e outras propriedades. Em curto prazo, o governo pode construir na costa barreiras e muros de inundação e reparar a infraestrutura, porém, é um alto preço a se pagar para uma alternativa que não conseguirá resolver o problema.

Apesar de ser irreversível o aumento no nível dos oceanos que já ocorreu, cientistas acreditam que ainda há tempo para controlar o aquecimento global e diminuir a perda de gelo que vem ocorrendo tão recorrentemente na Groelândia. De acordo com Sarah Das, cientista da Woods Hole Oceanographic Institution, é possível controlar a quantidade de gases estufa que é colocada na atmosfera e, reduzindo essa emissão, também seria possível retardar o aumento do nível dos oceanos.

Notícia produzida por Helena Duarte, estagiária do IBDMAR.

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Um iceberg flutua atrás de casas em Disko Bay, durante uma onda de calor no dia 30 de julho de 2019, em Ilulissat, Groelândia.