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03 julho 2019

Incêndio em submarino militar russo deixa quatorze marinheiros mortos

O incêndio começou na segunda-feira, enquanto a embarcação realizava pesquisas nas águas jurisdicionais do norte da Rússia, informou o Ministério da Defesa.

Um incêndio no submarino militar russo de pesquisa em águas profundas, após uma explosão, causou a morte de quatorze oficiais da marinha russa por inalação de gás tóxico na última segunda-feira (1). De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, a embarcação realizava medições batimétricas em um estudo do solo oceânico e estava localizada nas águas jurisdicionais da Rússia quando o incêndio começou.

Agências russas de comunicação, incluindo RBC e Novaya Gazeta, identificaram o submarino como AS-12, conhecido como Losharik, designado para realizar operações em profundidades extremas. Acredita-se que esse tipo de embarcação é movido a energia nuclear, sendo capaz de realizar “guerra marítima”, ameaçando os cabos submarinos de energia e comunicações, bem como realizando pesquisas topográficas e missões de resgate. Apesar das suspeitas, em reunião, o ministro da Defesa Sergei Choigu e o presidente Vladimir Putin não mencionaram o tipo de embarcação ou se ela era movida a energia nuclear, apenas dando detalhes sobre a tripulação.

Segundo Choigu, o submarino fazia uma pesquisa militar no fundo do mar perto do Ártico e o incêndio ainda tem causas desconhecidas. Putin completou ressaltando que a tripulação era de alta escala: sete vítimas tinham o posto de capitão e duas delas receberam a maior medalha militar do país, conhecida como “Herói da Rússia”, oriunda dos combates pós Segunda Guerra Mundial. O presidente russo lamentou o ocorrido e cancelou uma apresentação marcada para lidar com o incidente, ordenando uma investigação sobre o caso.

O submarino foi encaminhado para a base da frota russa do norte em Severomorsk, no Mar de Barents, mesmo local do incidente mais mortífero envolvendo uma embarcação naval russa, o caso do submarino Kursk, que submergiu no mar de Barents depois de duas explosões na proa, matando todos os 118 tripulantes no ano de 2000. Esse naufrágio provocou críticas ao governo de Putin, que iniciava seu primeiro mandato, por não ter agido com a rapidez necessária ou aceitado ofertas internacionais de apoio, mantendo o foco em direcionar as forças armadas russas para o desenvolvimento de novos submarinos como parte de uma pressão mais ampla por equipamentos de defesa inovadores.

Por supostamente se tratar de embarcação nuclear, autoridades da vizinha Noruega disseram estar monitorando os impactos ambientais do fato, mas não detectaram níveis anormais de radiação. Per Strand, diretor da Autoridade Norueguesa de Radiação e Segurança Nuclear, informou ter entrado em contato com suas contrapartes russas, mas não conseguiu estabelecer o tipo de embarcação.

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