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05 julho 2019

Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco inscreve Paraty e Ilha Grande e seis outros sítios na Lista do Patrimônio Mundial

A 43ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco iniciou-se no dia 30 de junho, na cidade de Bazu (Azerbaijão), e ocorrerá até o próximo dia 10 de julho. O Comitê, que se reúne uma vez por ano, é formado por 21 representantes de Estados Partes da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural da Unesco (1972), cabendo a ele a palavra final sobre a inclusão de determinado sítio ou área na Lista do Patrimônio Mundial. Durante a atual reunião, serão analisadas 36 indicações para inscrição na Lista do Patrimônio Mundial e o estado de conservação de 166 sítios já inscritos.

Na quarta-feira (3), o Comitê decidiu inserir as Ilhas e Áreas Protegidas do Golfo da Califórnia, localizados no México, na lista do Patrimônio Mundial em Risco, devido ao perigo de extinção da vaquita (Phocoena sinus), uma espécie rara de toninha endêmica da região. Por isso, o México foi encorajado a fortalecer suas atividades de monitoramento, assim como assegurar que a área, em que estão localizados os últimos indivíduos da espécie de cetáceo, esteja sempre livre de redes de pesca. O Comitê também pediu aos países, a que se destinam os produtos da caça desse animal, que apoiem a luta contra o comércio ilegal da vaquita.

Hoje, sexta feira (5), o Comitê tomou uma decisão importante para o Brasil: sete novos sítios passaram a compor a Lista de Patrimônio Mundial, dentre eles, o de Paraty e Ilha Grande, localizados no estado do Rio de Janeiro. Trata-se do vigésimo segundo sítio brasileiro a se tornar Patrimônio Mundial e o primeiro classificado como sítio misto, isto é, um patrimônio de relevância cultural e ecológica para a organização internacional. A decisão acontece dez anos depois de o Brasil ter apresentado a demanda de reconhecimento ao Comitê. Em 2009, a solicitação brasileira havia sido indeferida por falta de elementos probatórios da importância cultural e natural do sítio de Paraty e Ilha Grande.

Paraty foi uma importante cidade, durante o período colonial brasileiro, pois era o destino final da principal rota de escoamento das riquezas minerais obtidas no interior do continente. Paraty era o principal porto colonial de onde partiam as embarcações rumo à metrópole portuguesa. Atualmente, a cidade preserva a arquitetura colonial em seu centro histórico e conta com a existência de importantes áreas protegidas de Mata Atlântica.

No que concerne aos mares e oceanos, o Comitê também decidiu incluir na Lista do Patrimônio Mundial as Terras e Mares Austrais Franceses, formados por cinco arquipélagos (Crozet, Kerguelen, São Paulo e Amsterdã) ao sul do oceano Índico. Nesse sítio francês, que se estende por cerca de 673.000 Km2, encontra-se a maior concentração de pássaros marinhos do mundo, a mais rica diversidade de mamíferos e importantes paisagens vulcânicas.

O afastamento dessas ilhas de centros de atividade humana, contribuiu para que se tornassem uma das maiores áreas de preservação marinha do mundo, a partir de 2016, resultando em uma localidade de extrema importância científica. Além disso, as ilhas contêm grande concentração de aves e mamíferos aquáticos, incluindo alguns endêmicos da região.

Fechando o rol dos sete sítios inscritos hoje na lista de Patrimônio Mundial da Unesco: o Parque Nacional Vatnajökull na Islândia (sítio natural), os Sítios Antigos da Metalurgia Ferrosa em Burquina-Faso (sítio cultural), o Sítio da Babilônia no Iraque (sítio cultural), o Santuário de Aves Migratórias ao longo da Costa do Mar Amarelo na China (sítio natural) e as Florestas Hircanianas no Irã (sítio natural).

A 43ª reunião do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco continua até o dia 10 de julho. Nos próximos dias, estão previstas deliberações sobre estratégias de aplicação da Convenção sobre o Patrimônio Mundial, definição da utilização de recursos financeiros e detalhes da próxima reunião do Comitê.