Notícias

07 março 2017

Transbordo: O perigo da prática associada à pesca ilegal e à violação de direitos humanos

A organização Oceana publicou, no fim do mês passado, um relatório expondo, em escala global, a prática de transbordo ao mar. Transbordo é o envio de mercadorias ou contêineres para uma destinação intermediária, para, então, seguirem a uma outra destinação. O transbordo pode mascarar a pesca ilegal e abusos a direitos humanos.

O relatório, que foi publicado no The Economist’s World Ocean Summit, se utiliza de uma nova base de dados para identificar prováveis hotspots de transbordo assim como os principais países cujas embarcações se envolveram em encontros suspeitos ao mar, e os portos que essas embarcações visitaram com mais frequência.

img44

Hotspots globais de prováveis transbordos entre navios de carga refrigerados e as maiores embarcações comerciais de pesca entre 2012 e 2016

 

Qual o problema na prática de transbordo?

O transbordo possibilita a permanência de embarcações ao mar por períodos de tempo maiores que o normal. Embarcações de pesca e navios de carga refrigerados encontram-se em seu percurso para transferir a mercadoria.

Enquanto a prática de transbordo é considerada legal em vários casos, ela pode também facilitar a lavagem de pesca ilegal, especialmente no alto mar e em águas que circundam pequenas nações em desenvolvimento, com recursos insuficientes para realizar execício de polícia em suas águas.

“A prática de transbordo ao mar pode minar a gestão de pesca, ameaçar a segurança dos alimentos e facilitar a prática de atividades antiéticas em nossos oceanos”, disse Jacqueline Savitz, vice presidente sênior do United States and Global Fishing Watch, da Oceana.

 

img64

Quatro hotspots ilustrados em maiores detalhes para revelar padrões de transbordo em eventos individuais

Savitz afirma que, quando as embarcações permanecem ao mar por vários meses seguidos, elas podem ocultar a quantidade de peixes capturados e vendidos, o que impede que gestores de pesca mantenham uma população saudável de peixes e façam a reposição daqueles que sofreram sobrepesca.

Além disso, a vice-presidente acrescenta que, não ocorrendo a fiscalização nos portos, se torna mais fácil a prática de atividades como pesca ilegal, abusos aos direitos humanos e fraude dos mariscos.

“A única forma de garantir um fim às atividades ilícitas em nossos oceanos é banir o transbordo ao mar, requerer o monitoramento para todas as embarcações pesqueiras e estabelecer uma exigência consistente de relatórios de pesca em todo o mundo”, finaliza Savitz.

Share via
Copy link
Powered by Social Snap