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21 fevereiro 2017

Zelândia: Oitavo Continente?

Com tamanho equivalente a aproximadamente dois terços da Austrália, dos quais 94% encontram-se embaixo d’água, crê-se que a Zelândia – como foi batizada a região – tenha separado-se de Gondwana – antigo supercontinente – e submergido entre 60 e 85 milhões de anos atrás no sudoeste do Pacífico.

Geólogos vêm defendendo o reconhecimento da Zelândia como um continente pelos últimos 20 anos. Um artigo publicado no GSA Today, jornal da Geological Society of America, afirma que a larga faixa de crosta continental é distinta o suficiente para constituir um continente separado.

“Este é um grande pedaço de terra do qual estamos falando, mesmo que esteja submerso”, afirmou Nick Mortimer, geólogo neozelandês e co-autor do artigo.

 

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Os sete continentes já conhecidos, e a localização da Zelândia

 

Apesar de seus 5 milhões de metros quadrados, apenas algumas de suas ilhas e três grandes massas de terra são visíveis na superfície: As ilhas do Norte e do Sul da Nova Zelândia e a Nova Caledônia.

Enquanto o senso comum nos traz a noção de que é preciso que uma massa de terra esteja na superfície para entrar na categoria de continente, especialistas explicam que não é tão simples assim.

São levados em consideração quatro critérios: Elevação maior em relação ao entorno, geologia distinta, área bem definida e crosta mais espessa que a do fundo do oceano.

 

Nada novo sob o sol

Mortimer, em entrevista ao The Guardian, informou que o artigo publicado recentemente é o primeiro artigo científico robusto e avaliado em pares a definir e descrever a Zelândia, mas suas conclusões não trazem “nada novo” para a maioria dos geocientistas neozelandeses:

“Eles provavelmente então se perguntando o porquê de tanta agitação”

Segundo Mortimer, ele e outros pesquisadores começaram a reunir informações sobre o continente submergido com a publicação de um mapa batimétrico em 2002. O mapa forneceu um roteiro aos pesquisadores, e desde então o que ocorreu foi um processo gradativo, onde os pesquisadores foram “juntando os pontos”.

“Como tudo na ciência, a ficha nem sempre cai imediatamente. Você constrói um corpo de evidências. (…) Um vez, já foi tudo parte de um grande continente, que foi quebrado em pequenos pedaços do quebra-cabeça”